O Blog do Adalberto

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Arquivo de Março, 2008

De William Gallas para Fabrice Alcebiades Maieko Akwa!!!

Publicado por adalbertus em Março 4, 2008

Quando na jornada 27 da Primeira Liga Inglesa de Futebol o Arsenal jogava contra a equipa do Birmingham, dois aspectos mexeram profundamente comigo.

O primeiro foi a falta horrível cometida sobre o atacante croata do Arsenal, Eduardo. Apesar de aparentemente não ter havido uma intenção maliciosa, a falta, segundo a equipa médica, provocou a fractura da fíbula do atacante que ficará nas boxes pelo menos até o final da época. Ainda antes de ter tido a oportunidade de ver o estado em que ficou a perna do jogador já o desespero estampado nos rostos dos seus companheiros dizia tudo – Eduardo estava em maus lençóis. A ele desejo boa sorte e rápida recuperação.

O segundo aspecto foi a conduta do defesa do arsenal, William Gallas que para além de ostentar a lendária camisola 10 é tão somente o Capitão da equipa – ou seja o Skipper como são conhecidos os capitães no futebol em terras de sua majestade.

Gallas ou Willy como era carinhosamente tratado quando representava o Chelsea, não fez jus ao seu estatuto de capitão, protagonizando um espectáculo triste e lamentável traduzido em gestos agressivos, histeria e falta de apoio aos companheiros de equipa, diga-se seus pupilos em campo.

O brilhante momento que o Arsenal vive pode de facto estar em perigo com a lesão de Eduardo, mas esta baixa deverá em minha opinião ser apenas o início do problema. Eduardo era apenas um jogador influente na manobra da equipa, já Willy era suposto ser o capitão, a face e o coração da equipa, um líder dentro do campo e se me permitem um general no campo de batalha.

Um capitão não corre em desespero quando a sua equipa sofre um penalty a caminho dos 90 minutos, um capitão não pontapeia painéis publicitários e acima de tudo não se desfaz em lágrimas após o apito final, nem entra para o balneário berrando histericamente.

E há mais, quando Emanuel Adebayor perdeu uma soberba chance de passar o esférico para o seu companheiro Bentnar preferindo arriscar e falhar, criou-se um gelo entre os dois jogadores que já não casam muito bem. Mas naquele momento onde estava o capitao para por ordem na casa? – dizem as más línguas que estava a derramar lágrimas.

William Gallas que chegou já a casa dos 30 anos, acabou por demonstrar nesse dia que a sua idade mental está muito abaixo dos 30 anos e que está totalmente despreparado para conduzir a sua equipa com a maturidade, espírito de liderança, esmero e responsabilidade que se exige de um skipper.

Logo após deste triste espetáculo, veio-me a cabeça a imagem daquele que foi nos últimos anos o grande capitao dos Palancas Negras. Aquele que com a sua maturidade e o seu espírito de liderança conduziu a equipa nacional angolana ao mundial de 2006 na Alemanha.

Na altura, Akwa estava inclusive sem clube, e portanto sem rítmo competitivo e sem as mais de 70,000 libras que Gallas ganha semanalmente ao serviço do Arsenal. Ainda assim Akwa conseguiu, contra o Rwanda, fazer o golo que transportou Angola pela primeira vez para o maior palco do futebol mundial.

Nesta prova, mais uma vez, o nosso Akwa soube ser o capitão, o líder, o rosto e o coração daquela equipa que soube honrar o seu estatuto de pioneira batendo-se com dignidade e honra contra selecções de craveira mundial.

Em suma, o nosso grande Akwa desfilou um manancial de qualidades que sem dúvida fazem falta ao pequeno capitão do Arsenal.

Adalberto Fernandes
Fevereiro de 2008

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Por onde anda a Responsabilidade Social Individual

Publicado por adalbertus em Março 3, 2008

Nos dias de hoje, muito se fala, escreve e debate sobre a responsabilidade social dos governos e das empresas nos seus mais variados quadrantes. Assim, não terá sido por acaso que, na segunda semana de Janeiro, a Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto “despertou” o país, que ainda vivia a ressaca da quadra festiva e feriados que se seguiram, realizando a primeira Conferência Internacional sobre Direito, Ética e Responsabilidade Social. Um evento que diga-se de passagem, foi de grande envergadura académica, social e política.

Estou completamente de acordo que o estado angolano, tal como qualquer outro, tem as suas responsabilidades sociais e deve, através do governo, cumpri-las com esmero e acima de tudo com a responsabilidade que lhe é exigida.

Respeito também em certa medida a abordagem do renomado economista Americano, Milton Friedman*, quando disse que a responsabilidade social das empresas é aumentar os seus rendimentos. Entretanto, é cada vez mais incontornável a ideia de que as empresas vão progressivamente assumindo uma conduta socialmente responsável não só através do cumprimento das suas obrigações legais, mas também através de uma postura moral e ética que eleve o seu perfil, assegure e melhore a sua imagem e acima de tudo que garanta a continuidade e crescimento dos seus negócios.

Inquieta-me o facto de pouco ouvir falar sobre a responsabilidade que cada um de nós como indivíduo deve emprestar a sociedade, ao ambiente, ao próximo e porque não a nós mesmos. A realidade quotidiana dá-me exemplos reais e profundos de comportamentos e práticas que reflectem um egocentrismo preocupante. Exemplos destes vão desde o tipo de programas, notícias e anúncios publicitários que “invadem” os nossos lares, através da TV e outros meios de comunicação de massas, comportamentos no trânsito, até ao nível de tomadas de decisões movidas pelo interesse individual em detrimento dos interesses da maioria e das gerações futuras.

Uma análise mais restrita, mas de uma área nuclear e importante, leva-me a olhar para o declínio da diminuição da responsabilidade dentro das famílias Angolanas, traduzida na crescente taxa de divórcios ou separações, na diminuição de responsabilidades pelo sustento e educação dos filhos por parte dos pais – graves violações aos padrões éticos e morais por vezes expressos nas leis, mas muito mais vezes ligados à práticas religiosas.

Factos evidentes saltam a vista de quem anda ou conduz diariamente por esta cidade de Luanda. Pois facilmente se apercebe, testemunha, sofre na pele ou até pratica actos de vandalismo e desrespeito aos mais elementares princípios humanos e de conduta ética individual sob cobertura de alguma fraca fiscalização e débil sentido de responsabilidade.

Não nos esqueçamos que muitos dos problemas estruturais que Luanda, em particular, enfrenta como a convivência social, o trânsito rodoviário, a gestão dos resíduos sólidos, o desrespeito por determinadas normas administrativas, resultam também de falta de responsabilidade individual.

Há outro conjunto de questões que se prendem com a responsabilidade que temos em relação às gerações futuras no que refere a sua educação e compromisso com o ambiente particularmente com as alterações climáticas, poluição, gestão sustentável dos recursos naturais como a água, solos, biodiversidade, etc.

Acho pois, que é chegada a hora de cada um de nós, independentemente da sua realidade socio-económica, definir e implementar na medida do possível um Plano de Acção pessoal que implique uma conduta ética e responsável em tudo que faz. Este Plano deveria incluir elementos como a promoção da tolerância, paz, aceitação da diferença, ser livre mas respeitando a liberdade de outros, ser um consumidor consciente, buscar o auto conhecimento e equilíbrio interiores, praticar e aplaudir o bem, assim como influenciar outros para que o façam.

Acredito que, revertida esta falta de responsabilidade, e consequentemente agindo de forma social e moralmente aceitáveis estaremos a facilitar a nossa própria vida e reforçar a acção do estado nas suas obrigações sociais e na edificação de uma nação que para além de rica em recursos naturais foi agraciada com um povo empreendedor, jovem, virtuoso e pacífico que deve caminhar para a inevitável prosperidade.

Adalberto Fernandes
Março de 2008

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Gestão da reputação como base do sucesso empresarial

Publicado por adalbertus em Março 2, 2008

No mundo globalizado e industrializado de hoje, as empresas competem para atrair a atenção daqueles que jogam um papel chave na conquista dos seus objectivos, sejam eles clientes, entidades reguladores, NGO’s, instituições financeiras ou outros como a imprensa que actualmente dá muito ênfase a escândalos envolvendo má gestão, corrupção, monopólio e acções de impacto ambiental e social.

Assim, as questões a volta da reputação empresarial influenciam as escolhas dos clientes, afectam o volume de vendas e em sociedades onde a alta finança é uma realidade têm um impacto no valor das acções junto das respectivas bolsas de valor, constituindo um risco ou uma fonte de oportunidades.

Afinal de contas o que é a reputação?

No contexto empresarial a reputação é vista como o somatório das opiniões dos públicos tendo como base as suas experiências com os produtos e serviços prestados.

Entretanto, para entender e gerir a reputação empresarial é preciso entender alguns dos seus componentes como a imagem e a identidade. A imagem é normalmente considerada como o reflexo do conjunto de pontos de vista ou qualidades que os clientes atribuem a uma dada empresa ou marca, enquanto que a identidade passa a ser a sua auto apresentação estrategicamente planeada. Estes componentes constituem a espinha dorsal da cadeia que forma a reputação empresarial. A título de exemplo a empresa de telecomunicações, Unitel, identifica-se e se auto apresenta como uma companhia que encurta a distancia entre as pessoas prestando um serviço de telefonia móvel de qualidade (O próximo mais próximo) – esta é a sua identidade ou o seu auto-retrato, entretanto a sua imagem será o reflexo do conjunto de opiniões que os diferentes clientes terão da mesma e da qualidade dos seus serviços. Sendo assim a identidade e a imagem são a espinha dorsal da cadeia que forma a reputação empresarial.

Como forma de avaliar a empresa Americana mais admirada pelo público, a famosa revista Fortune estabelece um ranking anual com base em factores como a inovação, talento dos funcionários, responsabilidade social e financeira, qualidade da gestão, investimento a longo prazo e qualidade dos produtos e serviços.

Em Angola, diria que para além da qualidade dos produtos e serviços, os factores que deverão afectar mais a reputação das empresas que cá operam são os seguintes:

  • Responsabilidade Social. Numa sociedade em reconstrução como a nossa as empresas devem ter momentos em que ultrapassam as suas obrigações mínimas especificadas ou reguladas por lei, expressando assim um elevado nível de responsabilidade e elevando o seu perfil ético.
  • Relacionamento com os públicos. Em muitos casos, certos grupos sociais podem influenciar fortemente o resultado de actividades empresariais. Assim, é importante que as empresas identifiquem, planeiem e implementem estratégias para engajar os seus públicos influenciando assim a maneira como estes vêm e julgam a empresa.

  • Comunicação empresarial. A comunicação empresarial deve ser vista como uma das ferramentas mais poderosas no nosso mercado para uma eficiente construção de relações e imagem. A comunicação empresarial é acima de tudo um instrumento de gestão pelo qual todas as formas e meios de comunicação e marketing são usados de maneira eficiente para elevar e manter o bom-nome da empresa.

Entretanto, estes factores de influência não podem ser implementados de modo isolado. Eles precisam de fazer parte de um plano de relações públicas, concebido e executado por profissionais treinados e qualificados na área, com o objectivo de conduzir e gerir a reputação da empresa.

Estes profissionais podem, em sintonia com os objectivos estratégicos da empresa, planear e implementar as acções que irão ajudar a empresa a atingir os seus objectivos, bem como criar instrumentos que permitem um acompanhamento constante da reputação da empresa

Uma boa reputação cria valor económico que deve ser protegido e valorizado. O mundo de hoje prova-nos que quando os públicos têm uma opinião positiva sobre uma certa empresa, esta fica mais habilitada a novas oportunidades, ganha mais aliados e acima de tudo melhora a eficiência do seu negócio. Por outro lado quando os clientes não confiam numa determinada marca ou num determinado nome gera-se o processo inverso.

Assim, toda a empresa que pretender revestir o seu nome com uma forte reputação, deverá dar ênfase no seu planeamento e gestão para assegurar que sua imagem esteja a altura de suportar a consecução dos objectivos estratégicos do seu negócio e enfrentar a concorrência.

Adalberto Fernandes
2007

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Angola na rota da revolução energética?

Publicado por adalbertus em Março 2, 2008

Na sua recente visita a Angola, o Presidente Brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, convidou o estado Angolano a participar daquilo que muitos especialistas económicos chamam de “revolução dos bio-combustíveis”. Convite este, prontamente abraçado através da criação de uma sociedade de direito angolano constituída pelos grupos Damer, Odebrecht, e Sonangol que se comprometeram a produzir, em Angola, energia com base em cana-de-açúcar.

Fala-se num investimento de 200 milhões de dólares, numa área agrícola de 30 mil hectares com uma unidade industrial que produzirá 160 mil toneladas de açúcar, 50,000 m³ de álcool, 140 Mwh de energia eléctrica por ano criando assim mais de dois mil postos de trabalho.

Mais do que realçar estes indicadores, vale lembrar e enfatizar o sentido estratégico dos dois estados em caminharem rumo ao futuro investindo nesta fonte de energia que prevê também resgatar o potencial agro-industrial do país, que num passado não muito distante jogou um papel de destaque entre os países exportadores de produtos agrícolas.

É bem verdade e foi já dito por analistas em questões de desenvolvimento que faltam muitas décadas para que os bio-combustíveis se tornem numa fonte importante de energia alternativa para o continente, mas que a sua produção poderia significar um impulso às economias do continente gerando receitas e reduzindo a dependência que determinados países têm na importação de combustíveis fósseis.

A importação de combustíveis não é uma realidade muito marcante para Angola uma vez que para além de ser o segundo maior produtor de crude na África Sub-sahariana com uma produção que se estima actualmente em cerca de um milhão e meio de barris por dia, Angola também espera ver a sua capacidade de refinação aumentada significativamente em mais cinco vezes com a refinaria do Lobito cuja construção deverá começar em 2008.

Países há como o Quénia, Namíbia, Ghana e Zâmbia que têm o petróleo e seus derivados como uma parte expressiva das suas importações, mas ao mesmo tempo se encontram numa posição vantajosa devido as suas vastas áreas não cultivadas e custos baixos associados a actividade agrícola.

Os bio-combustíveis poderão então alterar essa equação, fazendo com que parte dos recursos hoje usados na importação de combustíveis fique nas mãos dos agricultores e da indústria de bio-combustíveis impulsionando assim o crescimento económico destes países e reduzindo a sua dependência das importações.

É entendimento que é possível fazer dos bio-combustíveis uma alternativa que para além de não ser abrasiva para o ambiente, jogará um papel fundamental na melhoria da vida dos agricultores e populações rurais.

Não será por acaso que algumas das maiores petrolíferas do mundo, como a BP, Chevron, Exxon e a Marathon têm investido seriamente neste sector, fundamentalmente através da construção de fábricas piloto e financiamento a investigação científica para a descoberta da segunda geração de bio-combustíveis. Tudo isto numa altura em que há indicadores que prevêem que os bio-combustíveis passem a responder por 30% do consumo mundial para veículos de transporte em 2030.

Assim sendo, Angola está já posicionada na linha da frente para impulsionar esta indústria tendo como principal parceiro o Brasil, líder da revolução da energia renovável, e reconhecido mundialmente pelo pioneirismo na introdução do etanol na sua matriz energética.

Há quem pense que em 15 ou 20 anos a chamada geopolítica do petróleo se transforme numa geopolítica dos combustíveis abrindo espaço para o domínio de países como o já citado Brasil, Austrália, China, índia e determinados países africanos onde se poderá incluir Angola.

Assim sendo, Angola que poderia figurar na lista de países desinteressados no desenvolvimento deste sector devido aos seus “petrodólares”, poderá engajar-se no seu desenvolvimento usando a sua já provada capacidade de influenciar políticas a nível regional para ser o impulsionador e denominador comum desta “revolução energética” no continente. Outros gigantes do petróleo africano como a Nigéria e a República do Congo têm ensaiado algumas iniciativas a nível dos bio-combustíveis e seria interessante ver outros produtores como a Argélia, Líbia, Egipto e Guiné Equatorial a empreenderem iniciativas neste sector na perspectiva de mitigar os riscos de gerações vindouras que não mais contarão com as actuais reservas provadas.

É verdade que se estima que os países da Africa sub-sahariana venham a receber mais de 200 biliões de dólares em receitas derivadas da produção petrolífera na próxima década o que lhes permitiria estabelecer as bases para um futuro próspero das suas nações, mas é também verdade que historicamente os recursos do petróleo não têm ajudado os países em desenvolvimento a reduzir a pobreza tendo em alguns casos servido para alimentar conflitos armados e outros infortúnios sociais.

Assim, seria interessante começarmos a ver a materialização dos primeiros passos acordados a nível da exploração e produção de bio-combustíveis em Angola e a sua consequente expansão e replicação na região. Desta forma estaríamos talvez a implementar uma estratégia de longo prazo com impacto positivo no crescimento, diversificação e desenvolvimento económico do país, melhoria da qualidade de vida do cidadão com realce para as zonas rurais criando um efeito “bola de neve” nas gerações vindouras e que poderá potenciar as aspirações económicas e políticas do estado angolano na região.

Adalberto Fernandes
Novembro de 2007

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