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Por onde anda a Responsabilidade Social Individual

Publicado por adalbertus em Março 3, 2008

Nos dias de hoje, muito se fala, escreve e debate sobre a responsabilidade social dos governos e das empresas nos seus mais variados quadrantes. Assim, não terá sido por acaso que, na segunda semana de Janeiro, a Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto “despertou” o país, que ainda vivia a ressaca da quadra festiva e feriados que se seguiram, realizando a primeira Conferência Internacional sobre Direito, Ética e Responsabilidade Social. Um evento que diga-se de passagem, foi de grande envergadura académica, social e política.

Estou completamente de acordo que o estado angolano, tal como qualquer outro, tem as suas responsabilidades sociais e deve, através do governo, cumpri-las com esmero e acima de tudo com a responsabilidade que lhe é exigida.

Respeito também em certa medida a abordagem do renomado economista Americano, Milton Friedman*, quando disse que a responsabilidade social das empresas é aumentar os seus rendimentos. Entretanto, é cada vez mais incontornável a ideia de que as empresas vão progressivamente assumindo uma conduta socialmente responsável não só através do cumprimento das suas obrigações legais, mas também através de uma postura moral e ética que eleve o seu perfil, assegure e melhore a sua imagem e acima de tudo que garanta a continuidade e crescimento dos seus negócios.

Inquieta-me o facto de pouco ouvir falar sobre a responsabilidade que cada um de nós como indivíduo deve emprestar a sociedade, ao ambiente, ao próximo e porque não a nós mesmos. A realidade quotidiana dá-me exemplos reais e profundos de comportamentos e práticas que reflectem um egocentrismo preocupante. Exemplos destes vão desde o tipo de programas, notícias e anúncios publicitários que “invadem” os nossos lares, através da TV e outros meios de comunicação de massas, comportamentos no trânsito, até ao nível de tomadas de decisões movidas pelo interesse individual em detrimento dos interesses da maioria e das gerações futuras.

Uma análise mais restrita, mas de uma área nuclear e importante, leva-me a olhar para o declínio da diminuição da responsabilidade dentro das famílias Angolanas, traduzida na crescente taxa de divórcios ou separações, na diminuição de responsabilidades pelo sustento e educação dos filhos por parte dos pais – graves violações aos padrões éticos e morais por vezes expressos nas leis, mas muito mais vezes ligados à práticas religiosas.

Factos evidentes saltam a vista de quem anda ou conduz diariamente por esta cidade de Luanda. Pois facilmente se apercebe, testemunha, sofre na pele ou até pratica actos de vandalismo e desrespeito aos mais elementares princípios humanos e de conduta ética individual sob cobertura de alguma fraca fiscalização e débil sentido de responsabilidade.

Não nos esqueçamos que muitos dos problemas estruturais que Luanda, em particular, enfrenta como a convivência social, o trânsito rodoviário, a gestão dos resíduos sólidos, o desrespeito por determinadas normas administrativas, resultam também de falta de responsabilidade individual.

Há outro conjunto de questões que se prendem com a responsabilidade que temos em relação às gerações futuras no que refere a sua educação e compromisso com o ambiente particularmente com as alterações climáticas, poluição, gestão sustentável dos recursos naturais como a água, solos, biodiversidade, etc.

Acho pois, que é chegada a hora de cada um de nós, independentemente da sua realidade socio-económica, definir e implementar na medida do possível um Plano de Acção pessoal que implique uma conduta ética e responsável em tudo que faz. Este Plano deveria incluir elementos como a promoção da tolerância, paz, aceitação da diferença, ser livre mas respeitando a liberdade de outros, ser um consumidor consciente, buscar o auto conhecimento e equilíbrio interiores, praticar e aplaudir o bem, assim como influenciar outros para que o façam.

Acredito que, revertida esta falta de responsabilidade, e consequentemente agindo de forma social e moralmente aceitáveis estaremos a facilitar a nossa própria vida e reforçar a acção do estado nas suas obrigações sociais e na edificação de uma nação que para além de rica em recursos naturais foi agraciada com um povo empreendedor, jovem, virtuoso e pacífico que deve caminhar para a inevitável prosperidade.

Adalberto Fernandes
Março de 2008

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