O Blog do Adalberto

apenas um lugar para partilhar ideias

A Audácia da esperança!!!

Publicado por adalbertus em Junho 4, 2008

A Audácia da esperança!!!

Aconteceu o (in)esperado. Barack Obama venceu a disputa com a ex-primeira-dama, Hillary Clinton, e será o candidato do Partido Democrata às eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos. É sem dúvida um triunfo de dimensões históricas que faz dele o primeiro negro (ou afro-americano como queiram) com chances de governar o país mais poderoso do planeta.

Estas eleições nos Estados Unidos têm sido tema de debate nos escritórios da baixa luandense, nas sentadas de fim de semana e até nos apertados assentos dos nossos úteis candongueiros onde as análises de bancada não deixavam na maior parte dos casos de atribuir derrota inevitável a Obama devido a cor da sua pele. Houve até quem sugerisse que Obama devia abandonar a contenda enquanto era cedo para não ser humilhado, pois os democratas brancos nunca permitiriam que um negro os representasse nas presidenciais de Novembro.

Estando um pouco atento ao cenário político americano, não foi para mim uma surpresa ver Obama cilindrar Hillary, mas foi inevitável constatar o facto de Hillary ter tido vantagem entre mulheres, eleitores mais velhos e hispânicos, enquanto Obama confirmou sempre o seu domínio entre homens, jovens, “independentes” e afro-americanos.

Portanto, não tenho como negar que a questão do género e da raça estiveram em jogo, fundamentalmente na estratégia de Hillary que não escondia muito bem alguns argumentos feministas, talvez pelo facto do sexismo ser de certa forma menos ofensivo do que o racismo.

Já Obama foi extremamente hábil na gestão da tensão racial procurando ao máximo não ser considerado “o candidato dos afro-americanos”, factor que poderia ter deitado por água abaixo a suas pretensões. Ouvi também uma tese curiosa que dizia que muitos americanos de raça branca votariam em Obama para provar a si mesmos que não tinham qualquer preconceito racial.

Ainda assim o candidato negro, que ainda tem contra si o facto de ser filho de um muçulmano e ter um nome árabe, conduziu a sua campanha defendendo com propriedade que as eleições nada têm a haver com diferenças de género, etárias, raciais, religiosas ou regionais. Obama atestou sempre que o pleito eleitoral é uma contenda entre o passado e o futuro, uma ponte que separa a continuidade da mudança.

Hoje, dissipadas que estão as dúvidas sobre as reais possibilidades de Obama vir a dirigir a América, alguns dos cépticos que nos rodeiam voltaram a carga dizendo que os Americanos não se deixarão governar por um afro-americano e que até os democratas poderão votar no Republicano John McCain para proteger o establishment ou seja; manter o domínio da raça branca na América.

Tal análise é para mim desprovida de substância e chega até a ofender as reais e fortes capacidades que John McCain tem de vencer as eleições presidenciais. McCain é um candidato forte, perito nos mais bicudos dossiers da política interna e externa da América, goza de boa reputação e representa a mudança dentro da continuidade que é sempre uma escolha confortável para qualquer eleitorado.

Assim sendo, do mesmo jeito que recusei considerar a disputa entre os candidatos democratas como uma questão de género vs raça, também me recuso a considerar o futuro embate entre McCain e Obama como uma disputa racial – se assim fosse, acredito eu, jamais Obama teria chegado onde está.

Considero portanto que Independentemente do resultado final da corrida eleitoral, e inspirado pela obra de Obama que tem pelo título “A audácia da esperança” solicito aos cépticos e não só, um momento de reflexão e análise sobre o que os americanos esperam que aconteça com as grandes questões que mais lhes interessam como o terrorismo, o aborto, a reforma educacional, a saúde, os impostos, a guerra no Iraque, o casamento entre pessoas do mesmo género e outras temas chave.

Creio profundamente que uma das melhores qualidades de quem governa é inspirar esperança aos governados. Falo da esperança de que podemos ser melhor do que somos. Esperança que os problemas de hoje deixarão de sê-los amanhã. Esperança de que a vida poderá ser melhor e acima de tudo esperança de que os nossos frutos serão sempre melhores que as nossas sementes.

A esperança num amanha melhor guia quase sempre a tendência dos eleitores. É assim na América, na Europa, na Ásia, em África e assim será em Angola.

Adalberto Fernandes
Junho 2008

Deixe uma Resposta

XHTML: Pode utilizar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>