Racismo, proteccionismo e etc.
A capa da revista New Yorker desta semana mostra o candidato democrata Barack Obama vestido de muçulmano no Salão Oval e sua mulher, Michelle, usa um cabelo black power e uma arma AK-47 no ombro. Na lareira, uma bandeira americana é queimada sob uma foto de Osama bin Laden.
Segundo a revista, o objectivo da ilustração era fazer uma sátira sobre os boatos que a direita espalha sobre Obama. O ilustrador da revista acha que a ideia de rotular Obama como antipatriótico e terrorista é absurda.
Entretanto, a campanha de Obama, não achou a menor graça afirmando que a caricatura era ofensiva e de mau gosto sendo uma compilação dos boatos sobre Obama e Michelle: o de que ele é muçulmano, não é patriota, e o de que ela é uma revolucionária.
A campanha do republicano John McCain também condenou a imagem, mas certamente vai tirar benefícios da mesma.
Por outro lado, grande parte da comunidade jornalística afirma que a capa está dentro dos limites do jornalismo realçando que as sátiras não têm como ser politicamente correctas.
Eu pessoalmente acho que tem havido uma postura excessivamente defensiva em relação a tudo que se comenta ou opina sobre Obama. Sátiras como esta aparecem todos os dias. O Presidente Bush deve estar farto delas, O McCain também recebe muitas fundamentalmente relacionadas à sua idade avançada.
A título de exemplo, já repararam vocês que se alguém disser que o homem negro é sexualmente mais activo que o homem de raça branca ninguém vai achar ofensivo, mas quando James Watson disse que tinha provas científicas de que o homem negro é menos inteligente do que o branco, foi logo rotulado de racista.
Considero este exemplo como uma autocrítica, pois bem recentemente quando em conversa com um jovem conhecido, nacionalidade sul-africana e de raça branca, ele me disse que detestava o corredor de fórmula 1 Lewis Hamilton. A minha primeira reacção foi achar que o tipo era racista ou que detestava-o por ser negro, mas depois reflecti que eu também detestava o Schumacher e detesto o Alonso. Então, porque cargas de água não poderia ele também detestar o Hammilton?
Para vossa reflexão.
Adalberto Fernandes