Quando na jornada 27 da Primeira Liga Inglesa de Futebol o Arsenal jogava contra a equipa do Birmingham, dois aspectos mexeram profundamente comigo.
O primeiro foi a falta horrível cometida sobre o atacante croata do Arsenal, Eduardo. Apesar de aparentemente não ter havido uma intenção maliciosa, a falta, segundo a equipa médica, provocou a fractura da fíbula do atacante que ficará nas boxes pelo menos até o final da época. Ainda antes de ter tido a oportunidade de ver o estado em que ficou a perna do jogador já o desespero estampado nos rostos dos seus companheiros dizia tudo – Eduardo estava em maus lençóis. A ele desejo boa sorte e rápida recuperação.
O segundo aspecto foi a conduta do defesa do arsenal, William Gallas que para além de ostentar a lendária camisola 10 é tão somente o Capitão da equipa – ou seja o Skipper como são conhecidos os capitães no futebol em terras de sua majestade.
Gallas ou Willy como era carinhosamente tratado quando representava o Chelsea, não fez jus ao seu estatuto de capitão, protagonizando um espectáculo triste e lamentável traduzido em gestos agressivos, histeria e falta de apoio aos companheiros de equipa, diga-se seus pupilos em campo.
O brilhante momento que o Arsenal vive pode de facto estar em perigo com a lesão de Eduardo, mas esta baixa deverá em minha opinião ser apenas o início do problema. Eduardo era apenas um jogador influente na manobra da equipa, já Willy era suposto ser o capitão, a face e o coração da equipa, um líder dentro do campo e se me permitem um general no campo de batalha.
Um capitão não corre em desespero quando a sua equipa sofre um penalty a caminho dos 90 minutos, um capitão não pontapeia painéis publicitários e acima de tudo não se desfaz em lágrimas após o apito final, nem entra para o balneário berrando histericamente.
E há mais, quando Emanuel Adebayor perdeu uma soberba chance de passar o esférico para o seu companheiro Bentnar preferindo arriscar e falhar, criou-se um gelo entre os dois jogadores que já não casam muito bem. Mas naquele momento onde estava o capitao para por ordem na casa? – dizem as más línguas que estava a derramar lágrimas.
William Gallas que chegou já a casa dos 30 anos, acabou por demonstrar nesse dia que a sua idade mental está muito abaixo dos 30 anos e que está totalmente despreparado para conduzir a sua equipa com a maturidade, espírito de liderança, esmero e responsabilidade que se exige de um skipper.
Logo após deste triste espetáculo, veio-me a cabeça a imagem daquele que foi nos últimos anos o grande capitao dos Palancas Negras. Aquele que com a sua maturidade e o seu espírito de liderança conduziu a equipa nacional angolana ao mundial de 2006 na Alemanha.
Na altura, Akwa estava inclusive sem clube, e portanto sem rítmo competitivo e sem as mais de 70,000 libras que Gallas ganha semanalmente ao serviço do Arsenal. Ainda assim Akwa conseguiu, contra o Rwanda, fazer o golo que transportou Angola pela primeira vez para o maior palco do futebol mundial.
Nesta prova, mais uma vez, o nosso Akwa soube ser o capitão, o líder, o rosto e o coração daquela equipa que soube honrar o seu estatuto de pioneira batendo-se com dignidade e honra contra selecções de craveira mundial.
Em suma, o nosso grande Akwa desfilou um manancial de qualidades que sem dúvida fazem falta ao pequeno capitão do Arsenal.
Adalberto Fernandes
Fevereiro de 2008