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Racismo, proteccionismo e etc.

Publicado por adalbertus em Julho 16, 2008

obama-new-yorker-coverRacismo, proteccionismo e etc.

A capa da revista New Yorker desta semana mostra o candidato democrata Barack Obama vestido de muçulmano no Salão Oval e sua mulher, Michelle, usa um cabelo black power e uma arma AK-47 no ombro. Na lareira, uma bandeira americana é queimada sob uma foto de Osama bin Laden.

Segundo a revista, o objectivo da ilustração era fazer uma sátira sobre os boatos que a direita espalha sobre Obama. O ilustrador da revista acha que a ideia de rotular Obama como antipatriótico e terrorista é absurda.

Entretanto, a campanha de Obama, não achou a menor graça afirmando que a caricatura era ofensiva e de mau gosto sendo uma compilação dos boatos sobre Obama e Michelle: o de que ele é muçulmano, não é patriota, e o de que ela é uma revolucionária.

A campanha do republicano John McCain também condenou a imagem, mas certamente vai tirar benefícios da mesma.

Por outro lado, grande parte da comunidade jornalística afirma que a capa está dentro dos limites do jornalismo realçando que as sátiras não têm como ser politicamente correctas.


Eu pessoalmente acho que tem havido uma postura excessivamente defensiva em relação a tudo que se comenta ou opina sobre Obama. Sátiras como esta aparecem todos os dias. O Presidente Bush deve estar farto delas, O McCain também recebe muitas fundamentalmente relacionadas à sua idade avançada.


A título de exemplo, já repararam vocês que se alguém disser que o homem negro é sexualmente mais activo que o homem de raça branca ninguém vai achar ofensivo, mas quando James Watson disse que tinha provas científicas de que o homem negro é menos inteligente do que o branco, foi logo rotulado de racista.


Considero este exemplo como uma autocrítica, pois bem recentemente quando em conversa com um jovem conhecido, nacionalidade sul-africana e de raça branca, ele me disse que detestava o corredor de fórmula 1 Lewis Hamilton. A minha primeira reacção foi achar que o tipo era racista ou que detestava-o por ser negro, mas depois reflecti que eu também detestava o Schumacher e detesto o Alonso. Então, porque cargas de água não poderia ele também detestar o Hammilton?


Para vossa reflexão.

Adalberto Fernandes

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A Audácia da esperança!!!

Publicado por adalbertus em Junho 4, 2008

A Audácia da esperança!!!

Aconteceu o (in)esperado. Barack Obama venceu a disputa com a ex-primeira-dama, Hillary Clinton, e será o candidato do Partido Democrata às eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos. É sem dúvida um triunfo de dimensões históricas que faz dele o primeiro negro (ou afro-americano como queiram) com chances de governar o país mais poderoso do planeta.

Estas eleições nos Estados Unidos têm sido tema de debate nos escritórios da baixa luandense, nas sentadas de fim de semana e até nos apertados assentos dos nossos úteis candongueiros onde as análises de bancada não deixavam na maior parte dos casos de atribuir derrota inevitável a Obama devido a cor da sua pele. Houve até quem sugerisse que Obama devia abandonar a contenda enquanto era cedo para não ser humilhado, pois os democratas brancos nunca permitiriam que um negro os representasse nas presidenciais de Novembro.

Estando um pouco atento ao cenário político americano, não foi para mim uma surpresa ver Obama cilindrar Hillary, mas foi inevitável constatar o facto de Hillary ter tido vantagem entre mulheres, eleitores mais velhos e hispânicos, enquanto Obama confirmou sempre o seu domínio entre homens, jovens, “independentes” e afro-americanos.

Portanto, não tenho como negar que a questão do género e da raça estiveram em jogo, fundamentalmente na estratégia de Hillary que não escondia muito bem alguns argumentos feministas, talvez pelo facto do sexismo ser de certa forma menos ofensivo do que o racismo.

Já Obama foi extremamente hábil na gestão da tensão racial procurando ao máximo não ser considerado “o candidato dos afro-americanos”, factor que poderia ter deitado por água abaixo a suas pretensões. Ouvi também uma tese curiosa que dizia que muitos americanos de raça branca votariam em Obama para provar a si mesmos que não tinham qualquer preconceito racial.

Ainda assim o candidato negro, que ainda tem contra si o facto de ser filho de um muçulmano e ter um nome árabe, conduziu a sua campanha defendendo com propriedade que as eleições nada têm a haver com diferenças de género, etárias, raciais, religiosas ou regionais. Obama atestou sempre que o pleito eleitoral é uma contenda entre o passado e o futuro, uma ponte que separa a continuidade da mudança.

Hoje, dissipadas que estão as dúvidas sobre as reais possibilidades de Obama vir a dirigir a América, alguns dos cépticos que nos rodeiam voltaram a carga dizendo que os Americanos não se deixarão governar por um afro-americano e que até os democratas poderão votar no Republicano John McCain para proteger o establishment ou seja; manter o domínio da raça branca na América.

Tal análise é para mim desprovida de substância e chega até a ofender as reais e fortes capacidades que John McCain tem de vencer as eleições presidenciais. McCain é um candidato forte, perito nos mais bicudos dossiers da política interna e externa da América, goza de boa reputação e representa a mudança dentro da continuidade que é sempre uma escolha confortável para qualquer eleitorado.

Assim sendo, do mesmo jeito que recusei considerar a disputa entre os candidatos democratas como uma questão de género vs raça, também me recuso a considerar o futuro embate entre McCain e Obama como uma disputa racial – se assim fosse, acredito eu, jamais Obama teria chegado onde está.

Considero portanto que Independentemente do resultado final da corrida eleitoral, e inspirado pela obra de Obama que tem pelo título “A audácia da esperança” solicito aos cépticos e não só, um momento de reflexão e análise sobre o que os americanos esperam que aconteça com as grandes questões que mais lhes interessam como o terrorismo, o aborto, a reforma educacional, a saúde, os impostos, a guerra no Iraque, o casamento entre pessoas do mesmo género e outras temas chave.

Creio profundamente que uma das melhores qualidades de quem governa é inspirar esperança aos governados. Falo da esperança de que podemos ser melhor do que somos. Esperança que os problemas de hoje deixarão de sê-los amanhã. Esperança de que a vida poderá ser melhor e acima de tudo esperança de que os nossos frutos serão sempre melhores que as nossas sementes.

A esperança num amanha melhor guia quase sempre a tendência dos eleitores. É assim na América, na Europa, na Ásia, em África e assim será em Angola.

Adalberto Fernandes
Junho 2008

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De William Gallas para Fabrice Alcebiades Maieko Akwa!!!

Publicado por adalbertus em Março 4, 2008

Quando na jornada 27 da Primeira Liga Inglesa de Futebol o Arsenal jogava contra a equipa do Birmingham, dois aspectos mexeram profundamente comigo.

O primeiro foi a falta horrível cometida sobre o atacante croata do Arsenal, Eduardo. Apesar de aparentemente não ter havido uma intenção maliciosa, a falta, segundo a equipa médica, provocou a fractura da fíbula do atacante que ficará nas boxes pelo menos até o final da época. Ainda antes de ter tido a oportunidade de ver o estado em que ficou a perna do jogador já o desespero estampado nos rostos dos seus companheiros dizia tudo – Eduardo estava em maus lençóis. A ele desejo boa sorte e rápida recuperação.

O segundo aspecto foi a conduta do defesa do arsenal, William Gallas que para além de ostentar a lendária camisola 10 é tão somente o Capitão da equipa – ou seja o Skipper como são conhecidos os capitães no futebol em terras de sua majestade.

Gallas ou Willy como era carinhosamente tratado quando representava o Chelsea, não fez jus ao seu estatuto de capitão, protagonizando um espectáculo triste e lamentável traduzido em gestos agressivos, histeria e falta de apoio aos companheiros de equipa, diga-se seus pupilos em campo.

O brilhante momento que o Arsenal vive pode de facto estar em perigo com a lesão de Eduardo, mas esta baixa deverá em minha opinião ser apenas o início do problema. Eduardo era apenas um jogador influente na manobra da equipa, já Willy era suposto ser o capitão, a face e o coração da equipa, um líder dentro do campo e se me permitem um general no campo de batalha.

Um capitão não corre em desespero quando a sua equipa sofre um penalty a caminho dos 90 minutos, um capitão não pontapeia painéis publicitários e acima de tudo não se desfaz em lágrimas após o apito final, nem entra para o balneário berrando histericamente.

E há mais, quando Emanuel Adebayor perdeu uma soberba chance de passar o esférico para o seu companheiro Bentnar preferindo arriscar e falhar, criou-se um gelo entre os dois jogadores que já não casam muito bem. Mas naquele momento onde estava o capitao para por ordem na casa? – dizem as más línguas que estava a derramar lágrimas.

William Gallas que chegou já a casa dos 30 anos, acabou por demonstrar nesse dia que a sua idade mental está muito abaixo dos 30 anos e que está totalmente despreparado para conduzir a sua equipa com a maturidade, espírito de liderança, esmero e responsabilidade que se exige de um skipper.

Logo após deste triste espetáculo, veio-me a cabeça a imagem daquele que foi nos últimos anos o grande capitao dos Palancas Negras. Aquele que com a sua maturidade e o seu espírito de liderança conduziu a equipa nacional angolana ao mundial de 2006 na Alemanha.

Na altura, Akwa estava inclusive sem clube, e portanto sem rítmo competitivo e sem as mais de 70,000 libras que Gallas ganha semanalmente ao serviço do Arsenal. Ainda assim Akwa conseguiu, contra o Rwanda, fazer o golo que transportou Angola pela primeira vez para o maior palco do futebol mundial.

Nesta prova, mais uma vez, o nosso Akwa soube ser o capitão, o líder, o rosto e o coração daquela equipa que soube honrar o seu estatuto de pioneira batendo-se com dignidade e honra contra selecções de craveira mundial.

Em suma, o nosso grande Akwa desfilou um manancial de qualidades que sem dúvida fazem falta ao pequeno capitão do Arsenal.

Adalberto Fernandes
Fevereiro de 2008

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Por onde anda a Responsabilidade Social Individual

Publicado por adalbertus em Março 3, 2008

Nos dias de hoje, muito se fala, escreve e debate sobre a responsabilidade social dos governos e das empresas nos seus mais variados quadrantes. Assim, não terá sido por acaso que, na segunda semana de Janeiro, a Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto “despertou” o país, que ainda vivia a ressaca da quadra festiva e feriados que se seguiram, realizando a primeira Conferência Internacional sobre Direito, Ética e Responsabilidade Social. Um evento que diga-se de passagem, foi de grande envergadura académica, social e política.

Estou completamente de acordo que o estado angolano, tal como qualquer outro, tem as suas responsabilidades sociais e deve, através do governo, cumpri-las com esmero e acima de tudo com a responsabilidade que lhe é exigida.

Respeito também em certa medida a abordagem do renomado economista Americano, Milton Friedman*, quando disse que a responsabilidade social das empresas é aumentar os seus rendimentos. Entretanto, é cada vez mais incontornável a ideia de que as empresas vão progressivamente assumindo uma conduta socialmente responsável não só através do cumprimento das suas obrigações legais, mas também através de uma postura moral e ética que eleve o seu perfil, assegure e melhore a sua imagem e acima de tudo que garanta a continuidade e crescimento dos seus negócios.

Inquieta-me o facto de pouco ouvir falar sobre a responsabilidade que cada um de nós como indivíduo deve emprestar a sociedade, ao ambiente, ao próximo e porque não a nós mesmos. A realidade quotidiana dá-me exemplos reais e profundos de comportamentos e práticas que reflectem um egocentrismo preocupante. Exemplos destes vão desde o tipo de programas, notícias e anúncios publicitários que “invadem” os nossos lares, através da TV e outros meios de comunicação de massas, comportamentos no trânsito, até ao nível de tomadas de decisões movidas pelo interesse individual em detrimento dos interesses da maioria e das gerações futuras.

Uma análise mais restrita, mas de uma área nuclear e importante, leva-me a olhar para o declínio da diminuição da responsabilidade dentro das famílias Angolanas, traduzida na crescente taxa de divórcios ou separações, na diminuição de responsabilidades pelo sustento e educação dos filhos por parte dos pais – graves violações aos padrões éticos e morais por vezes expressos nas leis, mas muito mais vezes ligados à práticas religiosas.

Factos evidentes saltam a vista de quem anda ou conduz diariamente por esta cidade de Luanda. Pois facilmente se apercebe, testemunha, sofre na pele ou até pratica actos de vandalismo e desrespeito aos mais elementares princípios humanos e de conduta ética individual sob cobertura de alguma fraca fiscalização e débil sentido de responsabilidade.

Não nos esqueçamos que muitos dos problemas estruturais que Luanda, em particular, enfrenta como a convivência social, o trânsito rodoviário, a gestão dos resíduos sólidos, o desrespeito por determinadas normas administrativas, resultam também de falta de responsabilidade individual.

Há outro conjunto de questões que se prendem com a responsabilidade que temos em relação às gerações futuras no que refere a sua educação e compromisso com o ambiente particularmente com as alterações climáticas, poluição, gestão sustentável dos recursos naturais como a água, solos, biodiversidade, etc.

Acho pois, que é chegada a hora de cada um de nós, independentemente da sua realidade socio-económica, definir e implementar na medida do possível um Plano de Acção pessoal que implique uma conduta ética e responsável em tudo que faz. Este Plano deveria incluir elementos como a promoção da tolerância, paz, aceitação da diferença, ser livre mas respeitando a liberdade de outros, ser um consumidor consciente, buscar o auto conhecimento e equilíbrio interiores, praticar e aplaudir o bem, assim como influenciar outros para que o façam.

Acredito que, revertida esta falta de responsabilidade, e consequentemente agindo de forma social e moralmente aceitáveis estaremos a facilitar a nossa própria vida e reforçar a acção do estado nas suas obrigações sociais e na edificação de uma nação que para além de rica em recursos naturais foi agraciada com um povo empreendedor, jovem, virtuoso e pacífico que deve caminhar para a inevitável prosperidade.

Adalberto Fernandes
Março de 2008

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